agenda no Sertão
O descaso dos governos da Bahia com as regiões fora do eixo Salvador/Recôncavo é uma antiga distorção, ainda não de todo corrigida, comprovada até pelo desinteresse em resolver as questões de limites com Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais. Bem ao contrário do Brasil que pôs fim às suas pendências de fronteiras com países vizinhos. O médico e escritor Braz do Amaral chamou a atenção para este contraste no artigo “Sobre os limites da Bahia e a Carta Geográfica”, publicado em Portugal, na cidade do Porto, em 1921, e reeditado em 2007 pela Assembléia Legislativa e Academia de Letras da Bahia.
Por essa displicência e pela sua dimensão continental, a Bahia tem enfrentado surtos de investidas separatistas, contra os quais sempre se posicionou A Tarde, na linha de baianidade do seu fundador Simões Filho, continuada pelos herdeiros. Mas dentre as demonstrações de que a posição do jornal não se restringe à defesa da integridade territorial, sobressai a criação de sucursais e representações para a cobertura das diversas regiões do estado, no sentido também da integração, para que não sejam tratados como baianos de segunda classe os residentes no interior mais distante.
Esta conduta editorial por uma Bahia sem desigualdade, unificada pelo mesmo padrão de tratamento administrativo, dinâmica como é da própria natureza do jornalismo, nunca deixou de ampliar-se e de adaptar-se às novas circunstâncias da realidade mutante dos conjuntos homogêneos de municípios. E de verticalizar-se a partir do respectivo pólo e dentro de cada um deles. A microrregião de Paulo Afonso não ficou à margem dessa preocupação, que deve ser compartilhada pelo poder público e pelo setor privado, observadas suas respectivas especificidades de atuação.
Caminho mais curto para a emancipação do eleitorado refém de um sistema, tipo samba de crioulo doido de uma nota só, a do situacionismo compulsório, que mudou a cara mas ainda não mudou de métodos sustentados pelo clientelismo assistencialista, em marcha batida para a consolidação de sua matriz coronelística de dominação . Neste espaço de três ângulos e de três lados e de uma mesma submissão, deverá fazer-se sentir outra libertação, quando for ultrapassado o circulo da dependência dos estados vizinhos, sobretudo Sergipe e Alagoas, a ponto de as melhores unidades de saúde do lado baiano serem as ambulâncias que conduzem doentes para os hospitais de Aracaju ou Arapiraca (AL) e parturientes para as maternidades de Carira (SE) e Itabaiana (SE). A pauta da democracia a ser praticada no Sertão que iluminou e industrializou o litoral do Nordeste com as usinas da Chesf mas não se desenvolveu (Este artigo sairá na página Opinião do jornal A Tarde).

Canudos (De Clementino Heitor de Carvalho, correspondente de A Tarde, em Paulo Afonso) - Espantalho monárquico no final do século passado, Canudos esqueceu por completo o velho regime, transformando-se num reduto republicano às vésperas do plebiscito de 21 de abril, com esmagadora preferência pelo presidencialismo. Antônio Conselheiro conseguiu transmitir aos seguidores suas convicções monarquistas, na linha condenada pela própria Igreja, do direito divino dois reis, e chegaram a ser apontados como um ameaça à república.





